Manuseio

Poucas pessoas que possuem animais silvestres procuram se inteirar de detalhes biológicos e comportamentais daqueles animais que colocam para dentro de suas casas. Assim muitos destes animais com os quais manterão um convívio muitas vezes por vários anos são completamente ignorados em suas necessidades básicas dentro da espécie a que pertence e que se decididamente pudessem escolher com certeza não estariam ali.
Podemos citar o caso clássico das calopsitas, que hoje são de longe os psitacídeos mais procurados como aves de estimação por sua incontestável vontade de estar sempre ao lado de seu dono. Entretanto esse comportamento aparentemente de companheirismo inseparável esconde uma realidade comportamental completamente diferente. Como se sabe todos os psitacídeos são aves altamente sociáveis que vivem sempre em bandos com vários indivíduos e que quando longe do grupo social e natural a que pertencem são forçadas (como é o caso mais perceptível das calopsitas de vida em cativeiro) a substituir aquela vida social intensa que é partilhada com vários outras aves do bando por uma vida de apartamento onde as vezes uma única pessoa deverá suprir todas as suas necessidades de relação social e contato físico. Assim não é difícil ouvir de proprietários de calopsitas o grande orgulho por ter uma ave que não o larga por nada deste mundo ficando o tempo todo a seu lado desde a hora que ele entra em casa até a hora que vai dormir. Muito chegam a dizer que elas são mais companheiras do que os cães. Infelizmente poucas pessoas desconhecem a necessidade premente que as calopsitas têm quando separadas do convívio de outras da mesma espécie de ter contato físico e como diríamos "ter alguém para conversar durante o dia dentro de um apartamento enorme completamente diferente de um um ambiente natural com árvores, insetos, alimentos variados, e muito espaço para voar. Então o que lhes sobram? É muito fácil entender lhes sobram um enorme vazio psicológico que somente é preenchido perseguindo o seu dono durante todo o tempo que for possível de sua permanência em casa. Essa é a parte difícil de resolver quando proprietários levam suas calopsitas e papagaios ao veterinário se queixando de que elas estão arrancando as penas do corpo de maneira compulsiva. Na impossibilidade de viver em equilíbrio social partilhando suas atividades diárias com outros da mesma espécie que é o que os psitacídeos mais gostam de fazer, o que sobra é a auto mutilação que não deixa de ser um suicídio em pequenas prestações diárias ou como dizem muitos etologistas (pessoas que estudam a ciência do comportamento) : esta é uma forma de chamar por mais atenção do seu dono, seja como for alguma coisa esta errada e é o homem mais uma vez o responsável por isso.